Tá se achando a solidão em forma humana, com vontades instintivas de sair andando por ai, pegar um vento e esfriar a cabeça. Achar uma saída desse buraco fundo que parece sem saída. Mas o que parece não necessariamente é. Por isso que tenho um pingo de esperança em meu coração, por saber que posso olhar em minha volta e ver apenas paredes estreitas, mas que se eu olhar pra cima, conseguirei alcançar a luz. Que posso gritar, rezar, chorar, que alguém vai me socorrer.. Sei que metade de mim deseja continuar lá, pra escapar do sentimento de abandono quando se há mil pessoas ao redor. Pra fugir de toda a dor e sofrimento que esse mundo trás.
Fechei os olhos, ouvi o silencio.
*Breu.
Acordei em um hospital, não sabia bem ao certo onde estava.. apenas via paredes brancas, não mais escuras e apertadas. Dessa vez era um grande quarto, com aparelhos ligados ao meu corpo e sentia no momento que minha cabeça estava estourando! Olhei ao redor e alguém que parecia que gostava muito de mim, chamou a enfermeira que veio correndo, já me examinando e todos da sala sorrindo. Vários rostos desconhecidos dizendo para eu me acalmar que tudo ficaria bem. Não estava entendendo nada! Antes eu estava presa num buraco escuro e agora estava cheia de regalias num hospital que aparentava ser de boa qualidade. O médico me examinou, me chamou pelo nome de Gabriela. Não me lembrava do meu nome, não me lembrava de nada. Falei que estava sentindo muita dor de cabeça e uma senhora pegou a minha mão e disse que eu estaria bem em poucos dias, ela me chamou de filha. Aquela era a minha mãe? Todos repararam que estava estranhando tudo aquilo, um rapaz novo perguntou se eu me lembrava dele, pensei por momentos e sabia que aquele rosto não me era estranho. Fiquei sem responder e de repente o médico mandou que todos se retirassem do quarto e começou uma correria de novas enfermeiras entrando e as pessoas que pareciam ser da minha família saindo sem saber o que estava acontecendo, todos olhando pra mim com a preocupação estampada na cara.
Os medicos vieram fazendo um milhão de testes, eu perguntando o que tava acontecendo, expliquei que não conhecia nenhuma daquelas pessoas que estavam no quarto.
Bom, o que eles puderam me dizer era que eu tinha sofrido um acidente de bicicleta e batido a cabeça no chão. Tinha vindo pro hospital com traumatismo e que fiquei em coma durante 2 dias, descobri que o buraco onde eu estava não passava da minha imaginação. Eu sabia que minha vida não era muito boa, eu queria continuar no buraco. Pelo menos agora eu teria que recomeçar essa vida e tentar ser feliz!
Medo. Insegurança. Revolta. Medo.
Era apenas isso que passava por minha cabeça.
Só queria ser feliz!
~ Carolina Schmidt